História da restauração
De Adãoao Segundo Advento
O Princípio Divino lê a história como uma linha que tem de recomeçar uma e outra vez. Em cada bifurcação abaixo, lê primeiro a condição — quem ali estava e o que lhe era pedido. Depois, as duas respostas: o curso pretendido, que se interrompe, e o curso efetivamente percorrido, que passa para o outro lado da página e continua.
Onde a história se bifurcou
A história da restauração não é o plano. É o que aconteceu em vez do plano — a linha que Deus pretendia parou na primeira geração, e tudo o que se segue é a bifurcação que continuou sem ela.
Adão e Eva
O primeiro homem e a primeira mulher crescem rumo à maturidade no Jardim. Até a alcançarem, devem guardar um único mandamento; depois, devem casar-se com a bênção de Deus e dar início a uma linhagem sem pecado, como Verdadeiros Pais da humanidade.
Adão e Eva alcançam a maturidade, casam-se com a bênção de Deus e tornam-se os Verdadeiros Pais de uma linhagem sem pecado. O Reino dos Céus começa na Terra na primeira geração. Não há história da restauração, porque não há nada a restaurar.
A Queda
Custo: +6000 anosA Exposição lê a Queda como dois atos, e não um. Lúcifer tinha sido o canal do amor de Deus para os anjos; quando os seres humanos foram criados e amados mais do que ele, sentiu o seu próprio amor diminuído e, a partir disso, seduziu Eva — a queda espiritual. Eva, que agora carregava o temor e o conhecimento recém-adquirido de que o esposo a que estava destinada era Adão, arrastou Adão para uma relação conjugal antes de qualquer um deles ser maduro — a queda física. O que passou para os seus filhos não foi um mau exemplo, mas uma linhagem.
Tudo o que vem a partir daqui é o desvio. Cinco eras, cerca de seis mil anos e uma longa cadeia de substituições — todo esse trabalho para regressar a uma posição em que a humanidade já esteve uma vez.
I. De Adão a Noé
~1600 anos · Adão → Noé
As primeiras tentativas de Deus para lançar a fundação para o Messias dentro de uma única família. Cada tentativa exige duas coisas: uma fundação de fé, lançada por uma pessoa através de uma oferenda, e uma fundação de substância, lançada quando a figura de Caim se submete à figura de Abel. Por duas vezes a primeira é lançada e a segunda desmorona-se.
Porque é que Adão não podia fazer ele próprio a oferenda
c. 4000 a.C.Adão estava na posição intermédia, ligado a Deus e a Satanás ao mesmo tempo, e ninguém pode servir a dois senhores. Por isso, Deus dividiu-o simbolicamente em dois filhos e fê-los oferecer separadamente. As posições não eram arbitrárias: Caim, o primeiro fruto do amor de Eva, representava o seu primeiro ato caído e estava voltado para Satanás; Abel, o segundo fruto, representava o segundo e estava voltado para Deus. A partir daqui, a restauração passa pelo segundo filho.
Exposição, p. 162A oferenda de Abel é aceite
Deus olhou com agrado para Abel e para a sua oferenda (Gn 4,4) — ele estava numa relação correta com Deus e fê-la de maneira aceitável.
A primeira condição alguma vez cumprida por um ser humano caído. Abel restaura a fundação de fé no lugar de Adão e, ao fazê-lo, qualifica-se como figura central da oferenda substancial — aquele a quem Caim tem agora de se submeter. A oferenda de Caim não foi recusada por ódio: estando onde estava, ele precisava primeiro de cumprir uma condição, e essa condição era remover a natureza caída.
Exposição, p. 163Caim, o irmão mais velho
Os dois filhos de Adão fazem as primeiras oferendas da humanidade caída. A de Abel é aceite e a de Caim não. Caim tem agora quatro coisas a fazer, e cada uma inverte um passo dado pelo arcanjo na Queda: amar Abel do ponto de vista de Deus, receber o amor de Deus através dele em vez de lhe usurpar a posição, submeter-se ao seu domínio, e receber dele a vontade de Deus e multiplicá-la.
Caim mata Abel
Custo: +10 gerações · 1600 anosInverte a ordem e mata-o — reencenando, com precisão, o assassínio espiritual de Eva pelo arcanjo. Deus não interveio, porque a oferenda era a porção de responsabilidade do próprio Caim e de mais ninguém.
Pelo mérito do coração leal de Abel, Deus suscita Set no seu lugar (Gn 4,25). A regra aqui estabelecida governa o resto da página: a predestinação divina da Vontade é absoluta, mas a Sua predestinação de qualquer indivíduo é condicional. Se alguém falha, a Vontade não falha — muda de mãos.
Caim submete-se a Abel. A condição é creditada aos dois em conjunto, o pai, Adão, é libertado com eles, e a família inteira fica sobre a fundação para o Messias. O Messias nasce na própria casa de Adão.
Noé conclui a arca
Dez gerações e mil e seiscentos anos depois de Adão, Noé trabalha 120 anos numa montanha, sob troça constante, em obediência absoluta. A arca carrega o significado de todo o cosmos — três andares para as três fases do crescimento, oito pessoas para os oito membros da família de Adão, os animais para o mundo natural. Depois, quarenta dias de dilúvio.
A oferenda simbólica é aceite e a fundação de fé restaurada. Era Noé, e não Abraão, quem devia ter o título de pai da fé; só mais tarde é que o título passou. A pomba enviada três vezes, com intervalos de sete dias, é lida como tudo o que se segue: a primeira não encontra onde pousar — Adão; a segunda regressa com uma folha de oliveira — Jesus, que não teria onde reclinar a cabeça; a terceira não regressa de todo — o Senhor do Segundo Advento, depois de quem o ideal nunca mais volta a ser retirado da Terra.
Exposição, p. 168Cam, segundo filho de Noé
Cam é o Abel da família de Noé, com Sem na posição de Caim — o inverso do modo como a história costuma ser contada. Como foi Noé, e não Cam, quem fez a oferenda simbólica, a única tarefa de Cam é tornar-se inseparavelmente um só de coração com o pai. Deus faz Noé deitar-se nu para recuperar a inocência do Éden, onde os que não tinham caído andavam nus e não se envergonhavam.
Cam olha para o pai com o próprio coração de Deus e não sente nada que tenha de esconder. A família de Noé guarda a inocência do Éden restaurada, a fundação de substância fica completa, e a providência conclui-se numa só casa, uma única geração depois do dilúvio.
Cam cobre a nudez do pai
Custo: +400 anosCam sente vergonha, leva os irmãos a senti-la também, e eles caminham de costas para o cobrir. Ter vergonha da nudez é admitir o vergonhoso laço de sangue — precisamente a admissão de que Satanás estava à espera. Cobrir o pai não é, normalmente, pecado; aqui foi, porque só a esta família se pedia que provasse que esse laço tinha desaparecido.
Deus procurara durante mil e seiscentos anos até encontrar Noé, e guiara-o durante mais 120. Um pequeno ato de desprezo desfez tudo. A fundação não pode ser lançada de novo na mesma casa: Deus espera dez gerações e quatrocentos anos, e depois recomeça com uma nova figura central numa nova terra.
II. De Noé a Abraão
400 anos · Abraão → Isaac → Jacob
A terceira tentativa de lançar a fundação familiar — e, segundo o Princípio, uma terceira tentativa tem de ter êxito. E tem, mas só depois de Abraão falhar primeiro, e o custo passa para os seus descendentes.
- Era I — o fracasso de Cam: Dez gerações e o juízo do dilúvio de quarenta dias perderam-se em conjunto. Cada uma dessas dez gerações tem agora de ser restaurada em toda a sua extensão — quarenta anos em vez de quarenta dias —, e é por isso que passam exatamente quatrocentos anos entre Noé e o chamamento de Abraão.
Abraão chamado a sair de Ur
c. 2000 a.C.Da diáspora da Torre de Babel — erguida, nota a Exposição, pelos descendentes de Cam, e é por isso que as línguas foram confundidas —, Deus chama Abraão. Era o primogénito de Terá, um idólatra, e foi escolhido precisamente por essa razão. Para restaurar Cam, que Satanás tinha reclamado, Deus tinha de reclamar de volta alguém a quem Satanás dava o maior valor. Ao deixar Harã rumo a Canaã com a mulher, o sobrinho e tudo o que possuía, Abraão percorre o curso-modelo: Jacob repete-o ao sair de Harã, Moisés ao sair do Egito, e Jesus percorre-o com toda a humanidade ao sair do mundo de Satanás.
Exposição, p. 174Sara levada pelo Faraó, e recuperada
c. 2000 a.C.Antes de poder fazer a oferenda, Abraão tinha de restaurar simbolicamente a família de Adão. Quando o arcanjo tomou Eva, Adão e Eva ainda eram irmão e irmã. Por isso Abraão, ao fazer passar Sara por sua irmã, perde-a para o Faraó — que está no lugar de Satanás — e depois recupera-a como sua mulher, juntamente com Ló, que representa a humanidade, e com riquezas, que representam o mundo natural. Fê-lo sem saber o que estava a fazer. Jesus haveria de percorrer o mesmo curso.
Exposição, p. 175Abraão
A oferenda é uma pomba e um pombinho, um carneiro e uma cabra, e uma novilha — formação, crescimento e perfeição, as três fases num só altar, para que tudo o que Adão e Noé perderam possa ser restaurado numa única geração. Cada um deve ser cortado ao meio: para separar o bem do mal e para escoar o sangue da morte (Gn 15,9-11).
As aves ficam por dividir
Custo: +400 anos de escravidão no EgitoDivide os animais e deixa as aves inteiras, e as aves de rapina descem sobre os cadáveres. Uma oferenda não dividida é uma oferenda ainda na posse de Satanás — e, como a pomba da fase de formação ficou ali, o carneiro e a novilha, construídos sobre ela, perderam-se com ela. Satanás estava à espera precisamente disto, tal como espreitara junto ao altar de Caim e rondara a arca de Noé sob a forma de corvo.
O que Abraão não conseguiu fazer horizontalmente numa só vida é agora feito verticalmente ao longo de três. Deus conta os três homens como uma só pessoa — a vitória de Jacob é a de Isaac, e a de Isaac é a de Abraão, e é por isso que Ele Se chama o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob. Os seus descendentes pagam o prolongamento com quatrocentos anos de escravidão no Egito.
As três oferendas são divididas e aceites. Abraão restaura numa só geração tudo o que se acumulou ao longo das gerações de Adão e de Noé, torna-se plenamente o pai da fé, e a fundação nacional começa de imediato — sem Egito e sem quatrocentos anos.
Abraão oferece Isaac no Moriá
Mandado oferecer o filho de quem depende toda a promessa, Abraão caminha três dias até ao Moriá, amarra Isaac e levanta a faca. Isaac tem idade para carregar a lenha, para perguntar onde está o cordeiro e para resistir — e não resiste. Se tivesse resistido, a oferenda não teria sido aceite; a sua fé era tão grande como a do pai. O anjo detém a mão de Abraão, e o carneiro preso no matagal é oferecido em lugar de Isaac.
Ao decidir-se de forma absoluta, Abraão ficou na posição de quem já tinha matado Isaac, e Satanás ficou completamente separado do rapaz — e é por isso que Deus diz «agora sei». Ambos passam por uma morte e uma ressurreição: Abraão mata o eu que falhou no altar, e Isaac é-lhe devolvido. O carneiro é então a oferenda simbólica pela qual Isaac — e não Abraão — restaura a fundação de fé e herda a missão. Os três dias que levou a chegar ao monte tornaram-se permanentes: Jacob ao sair de Harã, Moisés ao sair do Egito, Jesus no túmulo.
Exposição, p. 179A posição de Abel desce uma geração
Se Abraão não tivesse falhado, Isaac e o seu meio-irmão Ismael teriam sido o par de Abel e Caim que removeria a natureza caída. Como falhou, Isaac subiu para a própria posição de Abraão, e a tarefa de Caim e Abel passou para os filhos de Isaac. Esaú herda a posição da primeira oferenda, que Satanás invadiu; Jacob herda a oferenda de Isaac, da qual Satanás foi separado. Já lutavam no ventre porque já estavam em posições opostas.
Exposição, p. 181Jacob prostra-se diante de Esaú em Peniel
Três vitórias, por ordem. Jacob compra o direito de primogenitura com pão e lentilhas — carne e espírito, as duas coisas que Satanás profanou. Vai para Harã, que representa o mundo satânico, e reconquista família e riqueza a Labão ao longo de vinte e um anos de trabalho penoso e dez mudanças de salário. No regresso, luta com o anjo durante a noite, no vau do Jaboque, vence, e recebe o nome de Israel. Depois envia os rebanhos à frente e prostra-se por terra sete vezes diante do irmão que jurara matá-lo — e Esaú corre ao seu encontro, abraça-o, e choram (Gn 33,4).
Esaú submete-se por vontade própria, e a condição para remover a natureza caída é cumprida. Esta é a primeira fundação de substância da história, e repara de uma só vez Caim e Abel e Sem e Cam. Jacob é também o primeiro homem caído a restaurar o domínio sobre um anjo — que é o que o nome Israel regista. Moisés volta a percorrer este curso como imagem, e Jesus como substância; todos os cursos posteriores nesta página são Jacob a uma escala maior.
Exposição, p. 182A fundação está lançada — e o Messias ainda não pode vir
c. 1900 a.C.Com a fé e a substância ambas lançadas, a fundação para o Messias ficou completa na família de Isaac. No tempo de Adão ou de Noé, isso teria bastado: não havia nenhuma família rival para os atacar. No tempo de Abraão, havia impérios. Uma fundação ao nível da família não podia receber um Messias que teria de enfrentar o Egito, e por isso a mesma fundação tinha agora de ser reconstruída à escala de uma nação soberana — o que significava, primeiro, o Egito e quatrocentos anos.
Exposição, p. 184III. De Abraão a Moisés
400 anos · José → Moisés → Josué
A providência alarga-se da família à nação. Israel forma-se no Egito, sob a escravidão, e é conduzido para fora por Moisés — através de três cursos nacionais distintos, dois dos quais fracassam por completo.
- Era II — as aves por dividir: Quatrocentos anos de escravidão no Egito são o preço dessa oferenda. São também a formação de uma nação: um período de separação de Satanás que coloca Israel onde Noé e Abraão estiveram, cada um, no início das suas missões, só que agora à escala nacional.
Rúben perde a primazia por causa do pecado (Gn 35,22). A linhagem real passa para Judá; a bênção dupla vai para José. A linhagem messiânica fica definida — David e Jesus virão de Judá.
Exposição, p. 162Jacob cruza deliberadamente as mãos ao abençoar os filhos de José e põe a mão direita sobre o mais novo (Gn 48,14). Nesta altura, o padrão já é doutrina — e a Exposição lê a mesma regra no facto de Deus ferir os primogénitos do Egito e de só os levitas poderem transportar a Arca.
Exposição, p. 162José desce ao Egito
c. 1800 a.C.José era filho de Raquel — a mulher de Jacob do lado de Deus — e irmão mais novo dos filhos de Lia, o que o colocava na posição de Abel. Escapa a uma conspiração para o matar, é vendido como escravo no mundo satânico e, aos trinta anos, é primeiro-ministro do Egito; depois os irmãos e o pai vêm prostrar-se diante dele. Todo este desenho é lido como prefiguração de Jesus: entrar no mundo satânico, um caminho de sofrimento, e emergir aos trinta anos como Rei dos Reis, diante de quem até os seus antepassados se submetem.
Exposição, p. 191430 anos no Egito
c. 1800–1450 a.C.A dívida era de quatrocentos anos. Israel sofreu quatrocentos e trinta — trinta anos a mais do que devia. Deus ouviu os clamores desses anos a mais, e é por causa disso que Moisés teve o direito de ferir o Egito.
Exposição, p. 197Os quarenta anos de Moisés no palácio do Faraó
Criado no centro do mundo satânico, amamentado e ensinado em segredo pela própria mãe, Moisés conservou a consciência do seu povo ao longo de quarenta anos de conforto palaciano e depois preferiu ser maltratado com ele aos prazeres passageiros do pecado.
Esses quarenta anos são uma dispensação completa para a separação de Satanás, e com eles Moisés lança a fundação de fé para o primeiro curso nacional. Ao contrário de Abel, Noé e Isaac, não precisa de nenhuma oferenda simbólica: apoia-se nas três oferendas aceites deles, e a era de se relacionar com Deus através do sacrifício deu lugar à era de se relacionar com Ele através da Sua Palavra.
Exposição, p. 194Os israelitas, a observar Moisés
Moisés completou quarenta anos no palácio do Faraó e lançou a fundação de fé. Ao ver um hebreu ser espancado, abate o egípcio — um ato que a Exposição lê como a própria maneira de Deus dar início ao curso: prevaleceu sobre o lado satânico, que estava na posição de filho mais velho, e cortou de vez a ligação de Moisés ao palácio. O que Israel tem agora de fazer é interpretá-lo corretamente e segui-lo.
Israel comove-se com o amor que ele lhe tem, confia nele e segue-o. Sobem pelo caminho direto, pela terra dos filisteus, e chegam a Canaã em vinte e um dias, restaurando assim os vinte e um anos de Jacob em Harã. Sem mar Vermelho, sem deserto — e sem necessidade nenhuma de tábuas, Arca ou Tabernáculo.
Israel volta-se contra Moisés
Custo: O caminho direto para CanaãAo ver um hebreu ser espancado, Moisés abate o egípcio. A Exposição lê esta morte como o próprio ato de Deus para dar início ao curso — prevaleceu sobre o lado satânico, que estava na posição de filho mais velho, cortou de vez a ligação de Moisés ao palácio e mostrou a Israel de que lado ele estava. O que falhou foi a resposta. No dia seguinte, um hebreu atira-lho à cara — queres matar-me como mataste o egípcio? — e Moisés tem de fugir.
Satanás reclama os quarenta anos que Moisés passou no palácio, e por isso a fundação de fé tem de ser lançada uma segunda vez a partir do nada: mais quarenta anos no deserto de Madiã, enquanto a vida de Israel no Egito se torna mais dura, como preço da sua descrença.
Três sinais, dez pragas e o mar Vermelho
A vara que se transforma em serpente, a mão que fica leprosa e é curada, a água que se transforma em sangue — depois, dez pragas que respondem aos dez enganos de Labão a Jacob, e o mar dividido pela vara. Israel vê, acredita e segue.
Uma segunda dispensação para recomeçar, concedida com maior graça do que a primeira, porque a primeira foi desperdiçada. Cada elemento é lido como prefiguração: a vara é Jesus; a mão metida duas vezes no peito é Jesus e a sua Noiva a restaurar o que o arcanjo profanou; os três dias de trevas da nona praga são a separação entre a luz e as trevas na sua vinda. Mas acreditar em Moisés enquanto os milagres aconteciam nunca foi a condição — a condição era continuar a acreditar nele até Canaã.
Exposição, p. 196Israel ao pé do Sinai
Moisés está quarenta dias no monte, em jejum, a lançar a fundação de fé para o Tabernáculo. O povo, lá em baixo, só tem de esperar por ele — manter a obediência durante todo o jejum é a condição inteira.
O bezerro de ouro
Custo: A primeira fundação para o TabernáculoMoisés jejua quarenta dias no Sinai para lançar a fundação de fé para o Tabernáculo. Lá em baixo, o povo pressiona Aarão a fazer um bezerro e chama-lhe o deus que os tirou do Egito. Moisés desce do monte e atira as tábuas ao chão.
As duas tábuas representavam Jesus e a sua Noiva, o segundo Adão e a segunda Eva como encarnações da Palavra. Quebrá-las prefigurou exatamente o que parece: que, se Jesus viesse e encontrasse o seu povo sem fé, poderia morrer sem nunca completar a sua missão com ela.
Israel espera. As tábuas permanecem, o Tabernáculo é erguido à primeira tentativa, e o povo entra em Canaã atrás dele para construir o Templo e receber ali o Messias.
As segundas tábuas, e o Tabernáculo erguido
Desta vez, Moisés tem de talhar ele próprio as pedras em branco antes que Deus escreva nelas, e jejuar outros quarenta dias. O povo espera por ele e depois constrói a Arca e o Tabernáculo sob a sua direção.
A fundação para o Tabernáculo está completa. O seu propósito era servir de seguro: um objeto de fé que permanece fixo mesmo quando as pessoas mudam, para que, enquanto uma única pessoa ainda o honrar, a providência tenha onde se apoiar — tal como o testemunho passa de mão em mão numa corrida de estafetas. O facto de Moisés restaurar as tábuas quebradas com quarenta dias de jejum também é lido como prefiguração: é por isso que os quarenta dias depois da ressurreição puderam dar a Jesus um novo começo.
Exposição, p. 205Os doze espiões, e Israel
Israel está à beira da terra para a qual foi tirado do Egito. Doze chefes passam quarenta dias dentro dela; a nação tem então de acreditar na promessa que já lhe foi feita e entrar.
Israel acredita nos dois espiões fiéis, entra em Canaã no fim de um curso de vinte e um meses, constrói o Templo e está ali, preparado, quando o Messias vem.
Os espiões regressam com medo
Custo: 21 meses tornam-se 40 anosDoze chefes passam quarenta dias em Canaã. Dez relatam uma terra que devora os seus habitantes, e homens ao pé dos quais se sentiram como gafanhotos. Só Josué e Caleb dizem «subamos» — e o povo tenta apedrejá-los.
Um ano por cada dia da missão dos espiões. A geração que saiu do Egito em idade adulta morrerá no deserto — todos menos Josué e Caleb, que mantiveram a fé durante os quarenta dias e, assim, conservaram intacta a fundação para o Tabernáculo quando todos os outros a largaram.
Moisés
Já perto do fim dos anos no deserto, com o povo outra vez sedento e a queixar-se, Deus diz a Moisés que fira a rocha para que dê água. A ordem é precisa — uma só vez. A rocha é Cristo, e a árvore da vida, e Adão aperfeiçoado: ferida uma só vez e a dar água, restaura Adão como fonte de água viva.
Moisés fere a rocha duas vezes
Custo: Moisés nunca entra em CanaãEm Cades-Barneia, Deus diz-lhe que fira a rocha para que dê água. Devia feri-la uma vez. Enfurecido com as queixas, fere-a duas. A rocha é Cristo, e a árvore da vida, e Adão aperfeiçoado: ferida uma só vez e a dar água, restaura Adão como fonte de água viva. Ferida uma segunda vez, depois de já ter dado água, estabeleceu a condição para que o próprio Cristo pudesse ser ferido.
Moisés é impedido de entrar na terra, suplica que o deixem entrar e é-lhe recusado; morre fora das suas fronteiras e ninguém sabe onde jaz o seu corpo — e cada um destes pormenores é lido como prefiguração do Getsémani, da cruz e do túmulo vazio. Ainda assim, a água saiu da rocha, porque interiormente a fé de Moisés nunca vacilou e Josué segurava o Tabernáculo. Entrou em Canaã em espírito, tal como Jesus só restauraria Canaã espiritualmente.
Um só golpe. Israel, cheio de assombro, une-se a Moisés, o curso recomeça a partir da rocha, e a condição que mais tarde permitiu a Satanás deitar as mãos a Jesus nunca chega a ser criada.
Josué atravessa o Jordão e toma Jericó
Desta vez, dois espiões e um relato fiel. Um curso de três dias; depois a Arca vai à frente e o Jordão abre-se diante dela. Doze pedras tiradas do leito do rio são erguidas em Guilgal, celebra-se a Páscoa, o maná cessa. Seis dias à volta de Jericó sem que nada aconteça e, ao sétimo, sete voltas, e as muralhas caem. Trinta e um reis caem a seguir.
A geração nascida no deserto completa o que os pais perderam, e a fundação nacional para o Messias fica estabelecida — embora como um povo sem soberania, ainda não um reino. O facto de Josué herdar o curso inacabado de Moisés é, para a Exposição, o modelo do Segundo Advento: Moisés só pôde entrar em espírito, Josué entrou em substância, e o que Jesus começou espiritualmente, o Cristo que regressa completa-o na Terra.
Exposição, p. 212IV. De Moisés a Jesus
~1400 anos · Juízes → Saul → João Batista → Jesus
Israel torna-se um reino, divide-se, cai no exílio e é reconstruído como nação religiosa. Cada período é ditado por uma indemnização que Saul devia ter saldado em quarenta anos e não saldou. O Messias chega no fim de tudo isto, e não é recebido.
- Era III — o deserto: Egito → deserto → Canaã é agora o modelo fixo, e Israel está na terra. O que falta é o reino soberano e, através dele, o Messias.
Israel, recém-chegado à terra
A geração de Josué atravessou o Jordão e tomou Jericó, e detém a fundação nacional para o Messias. O que falta é eliminar as sete tribos cananeias e manter o Tabernáculo no centro da vida que ali construírem.
Israel conserva a terra que lhe foi dada, mantém o Tabernáculo no seu centro e passa diretamente de Josué a um reino preparado para o Messias.
A geração mais nova perde a fé em Canaã
Custo: +400 anos sob os juízesDepois de entrar na terra, Israel não destrói as sete tribos cananeias: instala-se entre elas, adota os seus costumes e acaba a adorar os seus ídolos. Os quatrocentos anos de separação de Satanás comprados no Egito perdem-se.
Quinze juízes, de Otoniel a Samuel, cada um a exercer ao mesmo tempo os ofícios de profeta, sacerdote e rei, no que era, na prática, uma sociedade feudal. Todo o período existe para voltar a resgatar os quatrocentos anos que acabaram de se perder.
O rei Saul
Saul está onde Abraão esteve, apoiado em quatrocentos anos de juízes, e o seu reinado de quarenta anos deve restaurar os quarenta anos de Moisés no palácio do Faraó. Depois, deve construir o Templo, e Israel — ao segui-lo enquanto ele o honra — lança a fundação de substância. Samuel dá-lhe uma única instrução em Amalec: destruí-lo por completo e não guardar nada.
Saul desobedece em Amalec
Custo: +80 anos, e a coroaSaul estava onde Abraão estivera, apoiado em quatrocentos anos de juízes, e o seu reinado de quarenta anos devia restaurar os quarenta anos de Moisés no palácio do Faraó. Depois, devia construir o Templo, e Israel, ao segui-lo enquanto ele o honrasse, teria lançado a fundação de substância. Ele poupa Agag e o melhor do despojo, contra a ordem do profeta (1 Sm 15), e a unção é-lhe arrancada.
Tal como o fracasso de Abraão foi carregado por Isaac e Jacob, o de Saul é carregado por mais dois reinados de quarenta anos — e os três juntos perfazem os 120 anos do reino unido. O que Saul devia ter saldado numa só vida tem agora de ser pago em sequência: 400 anos de reinos divididos, 210 de exílio e regresso, 400 de preparação.
Saul obedece e constrói o Templo dentro dos seus quarenta anos. Israel une-se em torno dele, a fundação para o Messias é estabelecida no século XI a.C., e não há reino dividido, nem exílio, nem quatrocentos anos de silêncio.
Salomão constrói o Templo
A dispensação dada a Saul, prolongada através de David, cumpre-se finalmente no quarto ano do reinado de Salomão — 480 anos depois do Êxodo.
O Templo é a imagem do Messias, tal como o Tabernáculo era o seu símbolo: aquilo que Moisés transportou pelo deserto, finalmente de pé na terra. Israel tem agora território, soberania e um Templo — tudo o que faltava à fundação familiar do tempo de Isaac.
Exposição, p. 258O rei Salomão
O reino está no auge e o Templo está finalmente construído, três reinados depois de ter sido ordenado pela primeira vez. O trono unido está na posição central para o Messias, e a tarefa de Salomão é manter indivisa a fé da nação — incluindo a sua.
Salomão mantém-se firme até ao fim. Com os dons políticos que tinha e com a fraqueza do Egito, da civilização minoica e da Mesopotâmia naquele momento, unifica o Próximo Oriente num único domínio — e o Messias vem não para uma só nação, mas para um mundo já reunido.
A idolatria de Salomão
Custo: +~1000 anosAs suas mulheres estrangeiras desviam-no para os deuses delas, e ele constrói-lhes santuários. Ao fazê-lo, abandona a posição de Abel para a oferenda substancial — por isso a fundação de substância não pode ser lançada, e a fundação para o Messias, que o reino unido fora construído para produzir, não chega a ser estabelecida. O reino divide-se na terceira geração.
Israel, a norte, ocupa a posição de Caim, e Judá, a sul, a posição de Abel. O norte passa por dezanove reis, nove dinastias e nem um único governante justo, e é destruído pela Assíria — e perde para sempre a condição de povo escolhido. Judá vai para a Babilónia, e regressa.
Elias no monte Carmelo
O reino do norte passa por dezanove reis e nove dinastias sem um único governante justo. Deus envia-lhe Elias, que enfrenta sozinho, no monte Carmelo, os 850 profetas de Baal e de Aserá, faz descer fogo sobre o altar e derruba os altares deles.
Um único homem separa Satanás de um reino que se tinha entregado aos ídolos. Perdido o ideal do Templo sob Salomão, Deus passa a trabalhar através de profetas, e não de reis — quatro maiores e doze menores —, para purgar Israel da influência satânica e manter aberto o caminho para o Messias, que vem como Templo encarnado.
Exposição, p. 259Elias
O Carmelo foi o início da obra, não o seu fim. A missão de Elias era cortar por completo os laços do povo com Satanás, para que o caminho do Senhor estivesse direito quando o Messias viesse.
Elias é arrebatado antes de terminar
Custo: A missão precisa de um segundo corpoSobe num redemoinho, num carro de fogo, antes de a missão estar completa. O poder de Satanás reaviva-se e continua a atormentar a providência. É por isso que Malaquias tem de prometer, quatro séculos mais tarde, que Elias virá de novo antes do dia do Senhor — e essa promessa fixou em todas as mentes judaicas a imagem de um profeta a descer do céu.
Elias regressa em espírito para trabalhar através de João, cujo corpo serve ao mesmo tempo como o seu — é nesse sentido que Jesus pôde dizer que João era Elias. Mas a expectativa criada pela ascensão de Elias torna-se exatamente o obstáculo que o Messias tem de ultrapassar: um povo que vigia o céu à espera de um profeta não aceitará que o profeta fosse, desde o início, o filho de Zacarias.
Elias termina o que começou no Carmelo. Satanás é separado de Israel pelo próprio profeta, nenhum regresso é necessário, ninguém fica a olhar para o céu, e o Messias chega a uma nação sem nada no caminho.
Exílio, regresso e quatrocentos anos de silêncio
586 a.C. – 4 d.C.Setenta anos na Babilónia, depois o decreto de Ciro, depois mais cento e quarenta, enquanto os exilados regressam em três vagas, reconstroem o Templo e são reformados sob Esdras e Neemias — 210 anos ao todo. Malaquias volta-os para o Messias e, depois, passam quatrocentos anos sob a Pérsia, a Grécia, o Egito, a Síria e Roma sem profeta algum. Na mesma janela de tempo, Deus suscita Buda na Índia, Sócrates na Grécia e Confúcio no Extremo Oriente, para que o mundo a que o Messias chega seja um mundo que ele possa unificar.
Exposição, p. 262João Batista lança a fundação de fé
Um anjo anuncia o seu nascimento; o pai fica mudo por duvidar e só volta a falar quando o menino recebe o nome; a região montanhosa não fala de outra coisa. Cresce no deserto, a comer gafanhotos e mel silvestre, e vive com tal rigor que sacerdotes e levitas vão ter com ele para lhe perguntar se é o Messias.
Chamado com base em quatrocentos anos de separação de Satanás, tal como Moisés, João completa a mesma dispensação e lança a fundação de fé para o primeiro curso mundial. Estava onde Moisés estivera — e toda a nação, que tanto o estimava, só tinha de o seguir até Jesus para que a fundação de substância fosse lançada ali mesmo. O batismo que deu a Jesus foi, sem que ele o soubesse, a cerimónia de entrega de tudo o que tinha construído.
Exposição, p. 219João Batista
João completou a mesma dispensação de quarenta anos que Moisés completou e lançou a fundação de fé para o primeiro curso mundial. Deus revelou-lhe diretamente que Jesus é o Messias, e ele disse-o no Jordão. A nação estima-o tanto que os sacerdotes vão ter com ele para perguntar se é ele próprio o Messias. Só lhe resta manter-se fiel ao seu próprio testemunho, juntar-se a Jesus como seu primeiro discípulo e trazer consigo os chefes de Israel.
João diz: sim, sou Elias. A profecia por que toda a nação espera cumpre-se diante dos seus olhos, a nação preparada é entregue ao seu Messias, e Jesus — o Senhor da Glória, que nunca deveria ter sofrido — não percorre um único dia de caminho de sofrimento.
João nega que seja Elias
Custo: Jesus tem de percorrer o caminho de sofrimento de JoãoPerguntado diretamente — és tu Elias? —, responde: não sou (Jo 1,21). Jesus diz o contrário. Assim, o povo tem de escolher em quem acreditar, e a escolha nem sequer é renhida: João é filho de um sacerdote, e o seu nascimento veio acompanhado de um anjo e de um pai que ficou mudo, enquanto Jesus é um filho de carpinteiro sem estudos, que come com publicanos e parece violar o sábado. Acreditam em João. E acreditar em João significa que Elias não veio — o que significa que o Messias também não pode ter vindo, e portanto Jesus tem de ser um impostor. A Exposição é direta quanto ao ponto a que isto leva: a principal razão por que Jesus teve de morrer na cruz foi o fracasso de João Batista. Mais tarde, da prisão, João manda perguntar se Jesus é, afinal, aquele que havia de vir (Mt 11,3); a essa altura, o mal já está feito.
Jesus tem de descer ao papel de precursor e voltar a lançar ele próprio a fundação de fé — e é por isso que disse a Pedro que não contasse a ninguém que ele era o Messias: era-o, mas durante esta etapa trabalhava a partir da posição de João, e não da sua. O lugar de discípulo principal, que estava reservado a João, passa para Pedro, um homem enérgico que se apoderou dele. O maior de todos os nascidos de mulher, disse Jesus de João, e menor do que o mais pequeno no reino dos céus — porque todos ali, por mais humildes que fossem, sabiam quem Jesus era e serviam-no.
Quarenta dias no deserto, e as três tentações
Pedras em pão — recusado: recupera-se a pedra que Satanás detinha desde que Moisés ferira a rocha duas vezes e, com ela, a perfeição do carácter individual. O pináculo do Templo — recusado: Satanás queria que o Senhor do Templo caísse da sua própria posição e, em vez disso, abriu-se o caminho para que os crentes se tornassem templos filiais. Os reinos do mundo — recusados: o domínio sobre a criação, que já era seu pelas duas primeiras vitórias.
No lugar de João, Jesus restaura em quarenta dias todas as dispensações de quarenta perdidas em quatro mil anos — o dilúvio de Noé, os três cursos de quarenta anos e os dois jejuns de Moisés, a missão dos espiões, o deserto, o Egito. Torna-se ao mesmo tempo o cumprimento das tábuas, da Arca, do Tabernáculo, da rocha e do Templo, e as três recusas preparam o terreno para que as três bênçãos de Deus sejam restauradas.
Exposição, p. 221Israel e os seus chefes
Uma fundação religiosa com quatro mil anos de preparação produziu a nação em que o Messias nasce, e Jesus voltou a lançar ele próprio a fundação de fé no deserto. Israel tem agora de se unir em torno dele — a fundação de substância à escala nacional — para que o Reino possa começar na Terra durante a sua vida.
Israel não recebe Jesus
Custo: +2000 anosA fundação de fé estava de pé. O que nunca chegou foi a fundação de substância: os chefes não acreditaram, Judas vendeu-o e os discípulos dispersaram-se. Deus escolheu entregar Jesus em vez de perder a humanidade — e, como Satanás gastou o máximo do seu poder ao matá-lo, Deus ganhou o direito de usar o máximo do Seu poder para o ressuscitar.
Uma fundação religiosa com quatro mil anos de preparação passa para um pequeno grupo que o tinha seguido pessoalmente. Nem a cruz nem a necessidade de um regresso foram alguma vez predestinadas: ambas são consequências de uma responsabilidade que ninguém assumiu.
Israel recebe o seu Messias. Deus já tinha colocado a nação dentro da esfera helenística e moldado a sua sociedade segundo linhas democráticas, para que o Messias pudesse ser erguido como rei pela vontade do seu próprio povo — e, com esse apoio público, o Império Romano, que tinha unificado o mundo mediterrânico e o cruzara de estradas, é ganho para a sua causa durante a sua vida. Jesus reina como Rei dos Reis sobre um domínio mundial com Jerusalém por capital. Vive, casa-se, estabelece a Verdadeira Família, e o Reino dos Céus realiza-se na Terra no primeiro século. Não há nenhum Segundo Advento por que esperar, porque não sobra nada.
Da ressurreição ao Pentecostes — a fundação espiritual
Os quarenta dias entre a ressurreição e a ascensão são outra dispensação para a separação de Satanás, percorrida em espírito a partir da posição de João. Os discípulos dispersos são reunidos, Matias substitui Judas para voltar a completar os doze, e no Pentecostes desce o Espírito Santo.
A fundação espiritual para o Messias está completa, e Jesus e o Espírito Santo surgem como Verdadeiros Pais espirituais, que dão o renascimento numa esfera de ressurreição onde Satanás não pode entrar. Mas é apenas espiritual. O pecado original transmite-se pela carne, e por isso o corpo continua exposto ao ataque — e é por isso que até um cristão devoto é, nos termos da Exposição, um filho adotivo, e não um filho da própria linhagem de Deus, e que Paulo diz que os que têm as primícias do Espírito ainda gemem à espera da adoção.
Exposição, p. 226V. De Jesus ao Segundo Advento
~2000 anos · Apóstolos → Carlos Magno → Reforma → hoje
A era de preparação para o Segundo Advento. A Exposição lê este período como um paralelo preciso do período de Moisés a Jesus, era a era e duração a duração — o mesmo curso percorrido uma segunda vez, pelos cristãos como Segundo Israel, a um nível mais elevado.
- Era IV — a rejeição de Jesus: Os cristãos herdam a missão que o povo judeu detinha, exatamente como os gentios a herdaram na leitura de Paulo. Toda a providência cristã de dois mil anos é indemnização por uma única recusa.
Não se trata apenas de esta era se parecer com a anterior. A Exposição sustenta que a repete período a período, com as mesmas durações, porque cada período está a pagar a mesma indemnização uma segunda vez. É o ponto da história em que as duas linhas podem ser postas lado a lado e lidas uma contra a outra com mais clareza.
O cristianismo sobrevive a Roma
Quatrocentos anos de perseguição, que restauram os quatrocentos no Egito, durante os quais os cristãos se mantêm puros pelo batismo e pela comunhão, tal como Israel se mantivera puro pela circuncisão e pelo sacrifício. Depois, Constantino reconhece o cristianismo em 313 e Teodósio faz dele a religião do Estado em 392, e o cânone do Novo Testamento é reunido.
Onde Moisés vergou o Faraó com sinais e pragas, aqui a mesma vitória é ganha interiormente — ao tocar o coração dos imperadores, e não por milagres, porque esta é a era das condições internas. Os cristãos restauraram Canaã espiritualmente dentro do próprio império satânico, e o Novo Testamento torna-se para eles o que as tábuas e o Tabernáculo eram para Israel.
Exposição, p. 255Liderança eclesiástica regional
392–800 d.C.Patriarcas, bispos e abades exercem o mesmo triplo ofício que os juízes exerciam, sobre o mesmo tipo de sociedade feudal. Deus suscita os povos germânicos, recém-chegados à Europa Ocidental, como novo povo escolhido. E o mesmo fracasso repete-se: tal como Israel se instalou entre os cananeus e adotou os seus ídolos, a Igreja absorve a religião e a cultura das tribos pagãs que converteu, e isso lança a confusão na fé.
Exposição, p. 256Carlos Magno coroado, 800
Leão III coroa-o primeiro imperador da cristandade. Apoiado em quatrocentos anos de liderança eclesiástica regional, como Saul se apoiara em quatrocentos anos de juízes, Carlos Magno é o imperador onde Saul era o rei, com o papa no lugar do sumo sacerdote e os reformadores monásticos no lugar dos profetas.
A Exposição é explícita: quando Carlos Magno foi coroado imperador, alcançou a fundação de fé. O império realizou a Cidade de Deus de Agostinho como um verdadeiro Estado cristão. Se o Segundo Israel o tivesse então seguido, como Israel devia ter seguido Saul — o reino espiritual do papa e o reino terreno do imperador plenamente unidos —, a fundação para o Segundo Advento teria ficado completa no século IX.
Exposição, p. 258Os imperadores e os papas
Carlos Magno foi coroado e a fundação de fé está de pé. O papa ocupa a posição de sumo sacerdote e o imperador a de rei: o reino espiritual e o terreno só têm de se unir de todo o coração sobre a fundação já lançada, e Cristo pode regressar sobre ela.
O papa e o imperador unem-se de todo o coração sobre a fundação espiritual que já está de pé. Religião, política e economia harmonizam-se, Cristo regressa sobre esse terreno no século IX, e não há cisma, nem Cruzadas, nem Avinhão, nem Reforma, porque não resta nada para reformar.
Os imperadores e os papas não se mantêm firmes
Custo: +700 anosOs imperadores abandonam a posição de Abel para a oferenda substancial, e os papas nunca lançam a fundação espiritual sobre a qual deviam assentar. Tal como o reino unido se dividiu na terceira geração, também este se divide: os netos de Carlos Magno repartem o império e, em 919, este fica assente no Sacro Império Romano-Germânico, a oriente, e na França, a ocidente.
Cada indemnização dos reinos divididos tem agora de ser paga uma segunda vez dentro da cristandade. Deus envia Tomás de Aquino e Francisco de Assis como enviou Elias e Isaías; quando o papado não se reforma interiormente, é castigado exteriormente — e é assim que a Exposição lê as Cruzadas. Oito, a partir de 1095, derrotadas uma e outra vez, e o papado perde a credibilidade, e os senhores feudais o seu poder e o seu dinheiro, tudo ao mesmo tempo.
Avinhão, o Grande Cisma e os concílios
1309–1517Filipe IV obriga Clemente V a transferir o papado para Avinhão em 1309, e passam sete décadas sob os reis de França — o paralelo exato dos setenta anos na Babilónia. Gregório XI regressa a Roma em 1377; seguem-se papas rivais, durante um breve período três ao mesmo tempo, até que o Concílio de Constança os destitui a todos em 1417. O movimento conciliar tenta fazer da Igreja romana uma monarquia constitucional e fracassa, e os concílios queimam Jan Hus e condenam Wycliffe. É esse o momento em que a Reforma se torna inevitável.
Exposição, p. 261A Reforma, 1517
Wycliffe já tinha posto a Bíblia, em inglês, acima do sacerdócio. Quando Leão X vende indulgências para construir a Basílica de São Pedro, Lutero acende o rastilho, e o fogo propaga-se a Zuínglio, a Calvino, à Inglaterra e aos Países Baixos. Cento e trinta anos de guerras religiosas terminam na Vestefália, em 1648.
É a fundação de fé lançada de novo, exatamente como os exilados que regressavam lançaram de novo a sua ao reconstruir o Templo e ao reformar-se sob Esdras. Abre o período de quatrocentos anos de preparação para o Segundo Advento, paralelo dos quatrocentos anos de Malaquias a Jesus.
Exposição, p. 263A era moderna divide-se em Caim e Abel
1400–1789A vida medieval tinha reprimido a natureza original em ambas as direções ao mesmo tempo, e por isso a recuperação veio sob a forma de dois movimentos — e a Exposição lê toda a era moderna como a divisão que Deus fez em Adão caído, repetida agora no espírito de uma civilização. A linha de Caim faz reviver o helenismo como Renascimento e prossegue por Bacon e Descartes, pelo Iluminismo, pelos hegelianos de esquerda e por Feuerbach até Marx; na política, produz a Revolução Francesa de 1789, conduzida por homens ateus e materialistas, que derivou para o totalitarismo mesmo enquanto proclamava os Direitos do Homem. A linha de Abel faz reviver o hebraísmo como Reforma e prossegue até Kant, Wesley e Fox; na política, produz a Revolução Puritana, a Revolução Gloriosa e a independência americana, conquistada por cristãos que lutavam pela liberdade de fé. A democracia, de ambos os lados, existe para quebrar o monopólio em que a monarquia se tinha tornado — para que, quando o Senhor regressar, um povo amadurecido pela convicção o possa erguer pela sua própria vontade, em vez de ele lhe ser imposto.
Exposição, p. 279As guerras mundiais, lidas à luz da providência
O mesmo movimento, duas vezes. Cada guerra produz, do lado de Satanás, uma figura contrafeita que detém a forma exterior das três bênçãos numa das fases — o Kaiser como falso Adão em 1914, Hitler como falso Jesus em 1939, sem faltar a visão grandiosa, a vida de solteiro e o cadáver desaparecido — e o lado de Deus prevalece sobre ela. Na segunda, três nações enfrentam outras três nas posições de Adão, Eva e o arcanjo: os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França contra a Alemanha, o Japão e a Itália.
Cada vitória lança uma fase da fundação mundial e vence, a nível mundial, uma das três tentações que Jesus recusou no deserto: 1918, a fase de formação e a primeira; 1945, a fase de crescimento e a segunda. É aí que a aritmética desemboca — os quatrocentos anos a partir de 1517 fecham-se em 1918, e a Exposição diz que o período do Segundo Advento começou pouco depois do fim dessa guerra. É também aí que a figura contrafeita muda: Hitler foi destruído, enquanto Estaline, o falso Cristo do Segundo Advento, se fortalecia, o que é lido como o fim da era do reino espiritual e o início da era de um novo céu e de uma nova terra.
Exposição, p. 294A Coreia, e as qualificações do Terceiro Israel
1905–1945A Exposição nomeia a nação: uma nação oriental, e não o Japão, que entrou no período a adorar a deusa do sol e a perseguir o cristianismo coreano, nem a China, que se estava a tornar comunista. Os quarenta anos da Coreia sob domínio japonês, desde o protetorado de 1905 até à libertação em 1945, são a mesma dispensação de quarenta que Israel cumpriu no Egito e os cristãos em Roma. O paralelo 38 é lido como a oferenda dividida que Abraão não conseguiu fazer — uma nação cortada em duas ao longo da linha onde Deus e Satanás se encontram. Por detrás disto estão as profecias messiânicas do Chonggamnok e do seu Chongdoryong, aquele que vem com a verdadeira Palavra.
Exposição, p. 316Como a Exposição decide de que lado está cada coisa
A regra por detrás de todas as bifurcações acimaNão pela conduta, nem pela moral convencional, mas pelo facto de uma coisa acompanhar a providência ou a contrariar. O exemplo do próprio livro é desconfortável de propósito: alguém que ignorasse a providência chamaria mau ao ato de Moisés matar o egípcio, e a Exposição diz que pode ser considerado um ato bom, porque seguia a direção de Deus. O corolário é o lado mais cortante. Todas as religiões visam o bem, e por isso todas começam do lado de Deus; mas uma religião a quem foi dada uma missão para a sua época torna-se um obstáculo quando essa época passa e, se então bloquear uma mais nova que está mais perto do centro, passa para o lado de Satanás — por mais fielmente que tenha servido antes. É precisamente isso que o livro diz que aconteceu ao judaísmo quando perseguiu Jesus, e é dessa regra que depende a próxima bifurcação.
Exposição, p. 293O mundo cristão
Preparado ao longo de dois mil anos, o cristianismo está exatamente onde Israel estava no tempo de Jesus, e o período de preparação de quatrocentos anos esgotou-se. A sua tarefa é reconhecer o Senhor do Segundo Advento quando ele vier e unir o mundo religioso por detrás dele.
O cristianismo não reconhece o Senhor que regressa
Custo: Prolongado outra vezA Exposição enuncia o risco nos seus próprios termos e de antemão: ele primeiro sofrerá muito e será rejeitado por esta geração. Os cristãos que fixam o olhar no céu, à espera das nuvens, não reconhecerão um homem nascido na terra, e chamar-lhe-ão herege, exatamente como os sacerdotes e os escribas chamaram herege a Jesus. O cristianismo, preparado ao longo de dois mil anos como a esfera que o devia receber, não se une em torno dele.
A Exposição di-lo claramente: se o Segundo Israel se virar contra ele, Deus não terá alternativa senão abandoná-lo e eleger um Terceiro. É o padrão de João Batista à escala global, e dois mil anos depois a linha do tempo continua a bifurcar-se na mesma falha. Mas desta vez o desfecho não está em aberto — a providência para suscitar os Verdadeiros Pais começou com Adão, foi prolongada através de Jesus e, segundo o Princípio, tem êxito à terceira tentativa.
O mundo cristão reconhece o Senhor que regressa, une-se por detrás dele, e a fundação mundial fica completa numa só geração — espiritual e fisicamente, que é a parte que a primeira vinda nunca alcançou.
O último conflito, e como se decide
AgoraResta uma guerra, para unificar os dois mundos que as duas primeiras dividiram. A Exposição é explícita: pode ser travada de uma maneira ou de outra — pela força das armas, ou como um conflito puramente ideológico, resolvido sem um único tiro —, e qual delas acontece depende apenas de a porção de responsabilidade humana ser ou não cumprida. É todo o argumento desta página numa só frase: o destino está fixado, o caminho não.
Exposição, p. 299A linha continua a correr